13/01/2010

TRICOTILOMANIA = ARRANCAR CABELOS

A característica essencial da tricotilomania (esse nome tão estranho e complicado) é o desejo ou impulso incontrolável de arrancar fios ou tufos de cabelo. Muitas vezes, esse comportamento pode se tornar tão automatizado que a pessoa age inadvertidamente, sem se aperceber dele. Pode se tornar tão grave a ponto de a pessoa ficar com extensas falhas no couro cabeludo, sobrancelhas ou cílios.

A atitude de arrancar fios em si já é bastante estranha e quem sofre de tricotilomania tem completa consciência da estranheza do próprio comportamento. No entanto, após arrancar os fios, muitas pessoas com esse transtorno ainda se engajam em comportamentos como alisar os fios, enrolando-os entre os dedos, passando por entre os lábios e brincando com eles de maneira geral. Algumas chegam a comer as raízes dos fios ou mesmo a engoli-los, o que pode até levar à necessidade de cirurgia para a retirada dos bolos de fios que se formam.

Não se sabe ao certo o que causa a tricotilomania, mas certamente o fator biológico e hereditário é predominante, em razão de sua grande ocorrência em famílias em que um dos membros já teve TOC (Transtorno Obsessivo-compulsivo, popularmente conhecido como "manias"), ou algum transtorno do espectro TOC (compulsões por compras, jogo, comida, roer unhas etc.).

Em geral a tricotilomania começa na infância ou na adolescência. Na prática clínica temos notado que muitos adolescentes começam a puxar os cabelos assim que percebem que a qualidade e a cor dos fios mudaram em razão das alterações naturais da adolescência. Isso é mais comum entre as meninas, que dizem não se conformar que o cabelo tenha ficado mais grosso, mais ondulado ou mais escuro. Assim, algumas se esmeram em catar fios destoantes do resto do cabelo. Usam o tato para sentir a textura dos fios ou ficam observando no espelho até detectar fios não assentados, crespos ou com qualquer outra característica que fuja ao padrão por elas desejado.

Esse problema ganha contornos dramáticos porque causa danos à auto-estima das pessoas e muitas vezes também à sua estética. É comum que deixem de sair de casa, passem a usar bonés e evitem ir à praia, piscina ou se dedicar a quaisquer outras atitudes em que se exponham as falhas do couro cabeludo.

O tratamento, via de regra, é prolongado e difícil, pois exige bastante esforço, dedicação e perseverança tanto do paciente quanto das pessoas próximas. Envolve a necessidade de ganhar maior controle sobre os próprios impulsos por meio de medicamentos e psicoterapia de abordagem cognitivo-comportamental (TCC).

Mais informações: lokchique@gmail.com